Recursos hídricos podem fazer do Brasil uma potência mundial, diz Maude Barlow

De toda água do planeta - 1.370 milhões de km3-, apenas 2,5% são de água doce. Os restantes 97,5% são formados por água salgada. Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil possui 13,7% da capacidade hídrica da Terra, ou seja, é dono da maior reserva de aquífera do mundo. Se a água for considerada “o petróleo do século XXI”, como espera Maude Barlow, fundadora do Blue Planet Project, nosso País será uma das potências mais ricas do planeta, correto?

Errado! O Brasil pode sim ser palco de uma das principais disputas, num futuro próximo, se atentarmos para a importância que a água tem na sobrevivência da humanidade e para o fato de que está ser tornando cada vez mais escassa em várias regiões do planeta.

Hoje, segundo a ONU, mais de 1,5 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e mais de 2,5 bilhões estão sem saneamento básico no mundo. Devido à sua escassez, a água pode vir a ser o recurso mais valioso da Terra. A “Década da Água”, determinada pela Organização das Nações Unidas, termina em 2015, período escolhido para se reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento básico no planeta.

Outros fatores que preocupam as autoridades mundiais são a poluição dos rios e nascentes, a gestão da água no Brasil, a ocupação irregular do solo, a falta de saneamento básico e a degradação ambiental no País. Na cidade de São Paulo, basta olhar pela janela para ver o cenário da deterioração dos rios Pinheiros e Tietê, bem diante dos nossos olhos.

Para muitos especialistas, entre os obstáculos para um melhor gerenciamento da água no País estão os problemas jurídicos, a cultura administrativa brasileira e a disputa pela responsabilidade dos recursos entre os estados e governo federal.

Maude Barlow também se preocupa com o Aquífero do Guarani, maior reservatório de água da América Latina, que se estende sob a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. De acordo com seu livro “Água, o Pacto Azul” (M.Books), “algumas acusações estão encobrindo os esforços internacionais para desenvolver de modo sustentável a região, devido à presença de uma grande base do exército americano na área e ao envolvimento do Global Environment Facility, consórcio de financiamento administrado pelo Banco Mundial e pela ONU, e que envolve interesses norte-americanos privados”.

De acordo com a estudiosa canadense, a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para a conservação da vida, a manutenção do desenvolvimento e do meio ambiente; o desenvolvimento e a gestão da água devem ser baseados na participação de todos os usuários, dos planejadores e dos responsáveis políticos em todos os níveis e o recurso deve ser considerado um bem comum da humanidade.

Fonte:www.uniagua.org.br