Crenologia - A Água como Auxiliar Terapêutico

Crenologia é a ciência que estuda os efeitos medicamentosos das águas minerais.
A Crenoterapia diz respeito aos tratamentos que podem ser preventivos ou até curativos fazendo uso das águas minerais com comprovação medicamentosa. O Crenoclimatismo, também denominado Hidroclimatismo são os tratamentos preventivos ou curativos através das águas minerais comprovadamente medicamentosas em ação conjunta com o clima.
A água mineral tem a sua origem subterrânea, confinadas ou não nos ambientes geológicos do subsolo e, em função do fluxo, conjugado a fatores termodinâmicos, determinarão maior ou menor solubilização dos componentes químicos existentes nas rochas e/ou sedimentos através “ataque químico” seguido da “hidrólise”, formando portanto, verdadeiras “soluções iônicas” em estado de “sinergia”.
 

A Crenologia na História da Humanidade:
 
Os povos antigos só veneravam as águas das fontes e não a água da chuva, a água “coelestis”. No Épiro havia um oráculo junto ao lago do mesmo nome. Gozava de prestígio nos tempos de Periandro de Corinto, por volta dos anos 600 A.C. e, conforme Heródoto, o soberano ali chamava, por intermédio do mensageiro das trevas, sua falecida esposa Melissa. Esses oráculos recebiam a denominação de incubatórios e eram sempre localizados junto às fontes sagradas. Os consulentes deitavam-se junto às fontes sagradas e durante o sono a divindade lhes mostrava o futuro e revelava os remédios mais convenientes para a cura de seus males.
 
 
Fonte Castália
Castália, é uma fonte existente na encosta do monte Parmaso.
 
Delfos – Teatro do templo
Sua água possui gosto agradável e, quando bebida, inspiram os poetas.
Consagrada a Apolo e às musas, empregavam-na no “Templo de Delfos” ou “Oráculo de Delfos” para as abluções e purificações rituais.
 

Hipócrates, considerado o Pai da medicina, nasceu em 460 A.C., na pequena ilha de Cós, no mar Egeu e faleceu em avançada idade em Larissa, cidade da Macedônia, parecendo ter sido em 375 A.C..
Hipócrates
O mestre, introdutor do unicismo em medicina, pela amnese bem feita, diálogo afetuoso e sem formalismos, preocupação com o microclima e nutrição, estava recorrendo às forças curativas da natureza e praticando o “cosmopsicossomatismo”, em voga nos dias de hoje. No entanto, conforme Delore&Milhaud, o sábio de Cós, transferiu aos seus discípulos a prática empírica dos banhos termais, mas sem fazer referências às águas minerais.
No século III depois de Cristo, o Império Romano formava a maior nação do mundo antigo, desde o Eufrates até o Atlântico, do Saara ao Danúbio, havia o domínio de Roma, conquistado pelas armas.
Os romanos tinham paixão pelos banhos,era costume nacional. Mais do que medida de higiene, afora o prazer do banho quente, para eles era revigorante físicamente e proporcionava cura preventiva. O período áurio dos banhos públicos aconteceu no tempo de Constantino (251-337), quando a cidade “Eterna”, por cálculo aproximado, possuía 11 termas populares, 926 particulares e cerca de 2000 fontes. A soberba quantidade de água para abastecer Roma chegava por meio de 14 aquedutos.
A paixão pela balneabilidade se confundia com os processos terapêuticos. Plínio, o Antigo, escreveu: “ Durante seiscentos anos os romanos não conheceram outro médico senão o banho”. Apesar de toda a paixão pelo banho, não eram os médicos que se interessavam à ação curativa das águas minerais, mas apenas os leigos, como Plínio.
 
 
Termas romanas de Caldes de Montbui

História da Crenologia no Brasil:
 
A cadeira de crenologia, que existia na faculdade de Medicina de Belo Horizonte, foi criada em 1929 pelo Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, quando presidente do Estado de Minas Gerais.
Nessa época já funcionava na cadeira de Terapêutica da Faculdade Nacional de Medicina (Praia Vermelha), no Rio de Janeiro, um curso de Crenologia, a cargo do professor Renato de Souza Lopes, que foi ministrado por mais de trinta anos e retirado do currículo em 1959.

Em 05 de março de 1941 o Governo Federal nomeou a Comissão de Hidrologia, com a finalidade de elaborar uma nova legislação sobre águas minerais, cujo anteprojeto publicado no Diário Oficial da União de 19/05/1943 para críticas, determinou o Código de Águas Minerais, Decreto – Lei 7841 de 08 de Agosto de 1945, baseado na legislação francesa e na lei bromatológica de 1923 e, bem como, a criação da Comissão Permanente de Crenologia.
 
 
Classificação Crenoquimioterápica:
A classificação crenoquimioterápica é baseada nos ânions dominantes, que formam as respectivas classificações terapêuticas.


São quatro divisões químicas aniônicas, com as seguintes medicações:
    Medicação oligomineral - Sem ânion dominante
    Medicação sulfetada - SH - ânion hidrogenosulfeto ( hidrosulfídrico)
    Medicação alcalina - CO3 – carbonatos
    Medicação cloretada - Cl – cloreto


Crenologia Balneoterápica

-Terapias usadas em crenobalneários:

    - Banhos de imersão:
     
      carbogasoso, de ar comprimido ou banho pérolas, banho de espuma (banho de jacuzzi ou hidromassagem).
       
    - Duchas:
     
      Duchas de jato frias, mornas, quentes, escocesa
      Duchas com massagem (banho de vichi)
       
    - Exercícios subaquáticos:
     
      Massagens e exercícios subaquáticos, ginásticas subaquáticas
       
    - Inaloterapia:
     
      Inalação, nebulização, duchas gasosas
       
    - Termoterapia:
     
      Banhos de vapor (vapores da própria água mineral), sauna,termóforo de Bier.
    - Indicações:
     
      Reumatismos
      Afecções dos nervos periféricos
      Afecções do sistema nervoso
      Estados psíquicos
      Lesões cirúrgicas gerais, ortopédicas e traumática
      Dermatologia
      Convalescença
       

Fonte:CPRM