Preservação de Matas Ciliares, artigo de Roberto Naime

Publicado em maio 4, 2011 por HC

[EcoDebate] As matas ciliares tem uma função muito importante por menor que seja o curso de água que protege. Evitam o solapamento ou instabilização dos taludes, comumente conhecidos como barrancas de rios e com isto evitam o assoreamento ou entulhamento dos canais de drenagem.

Assim, ao mesmo tempo se evitam enchentes e se evita que a água dos córregos atinja terras secas, sofra infiltração e diminua a quantidade de água nos rios. Ou seja, praticamos a proteção dos recursos edáficos (solos) e hídricos, com extrema eficiência ao mesmo tempo.

Toda atividade antrópica deve ser bem planejada de forma que as importantes matas ciliares sejam preservadas. Em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, se pratica o mais importante programa nacional de recuperação das matas ciliares, resultante de um convênio da Prefeitura Municipal de Lucas do Rio Verde e uma organização não governamental que auxilia na execução do projeto e provê recursos para várias ações.

As matas ciliares tem o papel fundamental na proteção dos cursos de água contra o assoreamento, a instabilização de taludes e a contaminação com defensivos agrícolas. As matas ciliares em muitas propriedades constituem os últimos remanescentes florestais da área, sendo portanto essenciais para a conservação da fauna (animais).

A Lei 4.777/65 estabelece um mínimo de 30m de faixa de preservação em cada margem para rios com menos de 10m de largura. Rios maiores ou represas de hidrelétricas tem larguras mínimas de faixa de preservação entre 500 e 100m respectivamente.

A manutenção das matas ciliares e sua recuperação das condições de eventual degradação são muito importantes. Os principais métodos de recuperação de matas ciliares são a regeneração natural, que pode ser estimulada ou protegida, a metodologia de seleção de espécies, começando por pioneiras, passando por secundárias precoces ou tardias e chegando nas espécies climáticas e a metodologia de abertura de dossel.

Este último método nada mais é do que estimular a fotossíntese a partir da penetração da luz, controlando a copa das árvores de uma determinada área de mata ciliar.

No caso das formações vegetais, é importante compreender suas atribuições específicas dentro do ecossistema em que vivem, para assim entender, estimular e proteger o processo de recuperação da natureza em áreas degradadas.

Esta interferência positiva da ação antrópica é fundamental quando o limite de resiliência dos ecossistemas é ultrapassado, o que quer dizer que houve ruptura ou quebra e sem auxílio do homem o ecossistema não tem condições de sofrer recuperação.

No meio ambiente é assim, o homem detrói, e com isto não previne a degradação, depois tem que mobilizar uma quantidade e volume muito mais intenso de recursos para prover a recuperação da área degradada.

Uma forma de compreender bem o que se procura demonstrar é fazer uma analogia com a saúde humana. Porque tomamos vacinas? Porque é muito mais fácil prevenir do que remediar. As vezes nem existe cura para uma doença, só a prevenção, exemplo disto é a paralisia infantil.
Todos tomamos vacinas. A natureza pede o mesmo tratamento. Prevenir em vez de remediar.

Dr. Roberto Naime, colunista do Ecodebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 04/05/2011