Resumo

Diário Carioca.com.br  30.03.2004

ENTENDA O CASO DA NESTLÉ EM SÃO LOURENÇO (MG)

 

Há alguns anos a Nestle vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vem combatendo a prática, por diversas razões.

As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram uma eficiente e barata forma de tratamento médico para diversas doenças. Essa forma de tratamento entrou em desuso pela maciça campanha, a partir dos anos 50, dos laboratórios farmacêuticos interessados em vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Recentemente um médico municipal curou a anemia das crianças de uma escola de baixa renda apenas com água ferruginosa.

Para fabricar a PureLife, a Nestlé desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Cientistas europeus afirmam que ao desmineralizar a água a Nestlé desestabiliza a mesma e precisa acrescentar sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras PureLife é uma água química sem estudo de riscos à saúde. A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer as normas de restrição de impacto ambiental e expondo a saúde da população a riscos desconhecidos.

O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido. Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito estão comprometendo os poços minerais, cujas águas tem um processo lento de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades. Durante anos a Nestlé vinha operando sem mesmo licença estadual. E é curioso como finalmente obteve essa licença no início de 2004.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu o apoio, na Suiça, para interpelar e empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestle, que já havia tentado a mesma prática na Suiça. Em janeiro deste ano, graças ao apoio conjunto desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente e em público o presidente mundial do Grupo Nestle. O mesmo, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB ), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Ao invés de aproveitar o apoio internacional para o caso, apoio a uma corporação privada de histórico duvidoso.

Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto ganhou manchetes em vários jornais, em diversos idiomas. E mesmo duas matérias de meia hora na televisão. Em uma dessas matérias, o vereador Cassio Mendes do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal ( PT ), para calar a boca. Teria sido avisado que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço. Diga-se de passagem que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa incentiva, como estratégia de marketing, para que os consumidores comprem seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero.

 

E qual é a real participação da Nestlé no programa? Contratação dos agentes, com suspeitas, não esclarecidas ainda, de que também forneça o treinamento. Sim, a Nestlé, famosa por ser alvo internacional de organizações que denunciam sua prática de propaganda mentirosa, enganando mães e educadores para substituição de leite materno por produtos Nestlé. A vendedora de leites e papinhas “substitutivos” estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e fazendo lucro e campanha publicitária de seus produtos nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.

Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização “parcial” das águas. O que é isso? Como será regulamentado? Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização “parcial”? E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com isso? Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. É para essas empresas que o governo governa? Além do que, a desmineralização, “parcial”ou “integral”, é uma prática combatida por cientistas e pesquisadores, como exposto acima.

Colabore. Transmita estas informações para outras pessoas. Boicote os produtos Nestlé.

A união de nossa sociedade civil em consciência e defesa da Água é assunto de Paz e soberania nacional. 

Mais informações sobre o caso Nestlé em  www.cidadaniapelasaguas.net