Fonte:  Folha do Meio Ambiente

Água Mineral em São Lourenço

Luciana Genro denuncia ação da Nestlé
O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido e a extração em níveis além dos aceitos estão comprometendo as fontes de São Lourenço-MG

Da redação

24 de Maio de 2004

A questão das águas minerais de São Lourenço e a superexploração por parte da Nestlé voltaram a ser assunto na Câmara dos Deputados. A deputada federal Luciana Genro ocupou a tribuna para denunciar a ação da Nestlé que vem utilizando as fontes de água mineral de São Lourenço para fabricar água da marca PureLife. "Para fabricar a PureLife - explicou a deputada gaúcha - a Nestlé desmineraliza a água mineral e acrescenta outros minerais de sua patente. A desmineralização da água é proibida pela Constituição Federal. Cientistas europeus afirmam que, ao desmineralizar a água, a Nestlé a desestabiliza e precisa acrescentar outros sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a PureLife é uma água química, sem estudo de riscos à saúde".

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agressivamente para o Fome Zero

Segundo a deputada Luciana Genro, a Nestlé está faturando em cima deste bem-comum, que é água, além de a estar esgotando por não obedecer as normas de restrição de impacto ambiental e expor a saúde da população a riscos desconhecidos. "O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido. A extração em níveis além dos aceitos estão comprometendo os poços minerais. Dois poços já secaram”.
Continua a deputada: toda a região do sul de Minas está sendo afetada. O interessante é que a Nestlé, durante anos, vinha operando sem sequer licença estadual. Finalmente, no início de 2004, obteve essa licença. Luciana Genro lembrou o fato ocorrido durante o Open Fórum, em Davos, quando o ambientalista Franklin Frederick conseguiu inquirir o presidente mundial da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, sobre o problema. Brabeck-Letmathe, na ocasião, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica de São Lourenço se os fatos fossem verdadeiros.

Licença de Minas
"Estranhamente, no dia seguinte o governo de Minas Gerais baixou portaria que regulamenta a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização ferindo a legislação federal. Ao invés de aproveitar o apoio internacional para esse caso tão grave e buscar cooperação para exigir dessa multinacional que cumpra a legislação, o Governo de Minas cedeu às exigências da Nestlé", denunciou a deputada gaúcha.
"Isso é extremamente grave", diz ela. "Mais preocupante é o anúncio do governo federal de que irá alterar a legislação e permitir a desmineralização parcial das águas. Afinal de contas o que é desmineralização parcial? Como isso vai ser regulamentado? Se a Nestlé vinha bombeando a água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irá fiscalizar a desmineralização parcial? Por que alterar a legislação em um item que interessa exclusivamente à Nestlé?”
A deputada Luciana Genro solicitou à Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público que investigue este caso, convoque a Nestlé, o governo de Minas Gerais e o próprio governo federal para debater, com muita cautela, esta questão.